Como o Data Storytelling impulsiona o engajamento no marketing: Entrevista com Rodolfo Felipe

Com uma abordagem que combina a análise de dados com narrativas envolventes, o Data Storytelling tem o objetivo de comunicar insights e informações de maneira direta e impactante. No contexto do marketing, a ação desempenha um papel crucial na análise de dados, pois ajuda a transformar números e métricas em histórias convincentes e significativas.

Para relatar sua experiência sobre o assunto, conversamos com Rodolfo Felipe, Gerente de Desenvolvimento de Vendas na TTEC. Ele conta que em todas as posições que ocupou, a capacidade de articular dados e insights foi fundamental para engajar os diversos stakeholders envolvidos nos projetos e ressalta a importância das histórias como ferramentas poderosas do marketing. 

Olá, Rodolfo! Tudo bem? Para iniciarmos, nos conte sobre sua carreira profissional e como foi sua trajetória até se tornar Gerente de Desenvolvimento de Vendas na TTEC atendendo a conta do Waze, por gentileza.

Resposta: 

Durante minha trajetória profissional, tive o privilégio de trabalhar em projetos nos quais a habilidade de articular dados e insights foi essencial para construir narrativas convincentes e impulsionar propostas de vendas e parcerias. Minha experiência abrange diversas áreas, desde consultorias e startups até empresas de tecnologia, meios de comunicação e agências de publicidade.

Meus primeiros passos nesse caminho foram como Trainee, liderando projetos de aplicativos para a MTV Brasil e lançando o pioneiro aplicativo de streaming de conteúdo para um canal de TV nacional. Em seguida, assumi o papel de Líder de Parcerias e Negociações na Abril Mídia, onde estabeleci acordos estratégicos com agências de publicidade, contribuindo para grandes investimentos nas plataformas de publicidade da empresa, totalizando R$400 milhões. Posteriormente, como Estrategista de Marca e Gerente de Contas na Agência Today, liderei iniciativas de planejamento e desenvolvi estratégias de marketing para clientes em diversos setores.

Mais recentemente, assumi a posição de Gerente de Vendas na PagSeguro, supervisionando o canal Member get Member para maquininhas de cartão. Atualmente, desempenho o papel de Gerente de Desenvolvimento de Vendas na TTEC, atendendo à conta do Waze. Nessa função, tenho a responsabilidade de posicionar o Waze Ads como uma solução de publicidade de destaque para marcas na América Latina. Minhas narrativas e análises informam e inspiram clientes e agências, gerando demanda e consideração pela plataforma.

Em todas as posições que ocupei, a capacidade de articular dados e insights foi fundamental para engajar os diversos stakeholders envolvidos nos projetos. Através da combinação estratégica de informações relevantes, consegui influenciar as decisões e conquistar o apoio necessário para impulsionar o sucesso das iniciativas.

Me sinto entusiasmado por continuar explorando e aprimorando essa habilidade vital de comunicação baseada em dados, enquanto trabalho no dinâmico universo do marketing digital.

 

A partir de sua experiência, como você observa a importância do Data Storytelling na análise de dados e como ele pode ser usado para impulsionar os negócios?

Resposta: 

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As histórias são uma ferramenta incrivelmente poderosa para transmitir conhecimento, e a humanidade tem explorado essa arte ao longo dos tempos. Elas possuem uma capacidade única de envolver as pessoas, capturar sua atenção e facilitar a assimilação de informações complexas. Ao utilizar a prática conhecida como Data Storytelling, combinamos dados relevantes em uma estrutura que os torna acessíveis e envolventes. 

Comunicar insights por meio de histórias é uma forma de envolver e engajar as partes interessadas, acelerando a tomada de decisões estratégicas e impulsionando os negócios de maneira ágil.

Seja você um estrategista de negócios, profissional de marketing ou empreendedor, dominar a arte do Data Storytelling é uma habilidade valiosa que pode impulsionar seu sucesso no mundo dos negócios. Ao combinar dados, narrativa e impacto, podemos criar uma experiência memorável que inspire e motive a todos.

 

Quais são os passos-chave para transformar dados em narrativas significativas e envolventes para uma audiência empresarial?

Resposta: 

Antes de tudo, é imprescindível ter um objetivo definido e uma mensagem clara que você deseja transmitir. Essa clareza orientará toda a construção da narrativa e a busca pelos dados relevantes que a sustentam. É crucial não abrir o Powerpoint sem ter isso em mente, pois é nesse ponto que muitos tropeçam e acabam criando apresentações extensas e confusas, mesmo com uma infinidade de dados interessantes. Engajar a audiência requer uma abordagem estruturada e envolvente.

A seguir, é hora de pensar na estrutura da história que deseja contar e começar a responder, utilizando dados, as principais perguntas de cada etapa. Embora existam diversos modelos disponíveis na internet, um que se destaca é o modelo “Conhecer, Agir e Crescer” de Sarah Norman. Cada parte desse modelo estimula a reflexão sobre aspectos fundamentais de uma narrativa envolvente.

Na primeira parte, “Conhecer”, o objetivo é captar a atenção do público e responder à pergunta crucial: por que eles devem se importar com a sua história? Nesse momento, é possível utilizar dados externos, como relatórios setoriais, ou dados internos, como pesquisas de clientes. É essencial contextualizar o problema ou oportunidade, oferecendo uma compreensão clara do cenário e despertando o interesse do público.

Em seguida, na parte “Agir”, é hora de dizer ao público o que eles devem fazer diante da oportunidade apresentada. Essa é a seção mais extensa da apresentação, na qual você demonstra que pensou criticamente na solução proposta. Novamente, é importante considerar o contexto e responder à pergunta: por que o público ficaria entusiasmado com a sua solução? É recomendado abordar a lógica por trás da ação proposta e explorar os benefícios e resultados esperados.

Por fim, na parte “Crescer”, você encerra a história com chave de ouro, motivando o público a agir. É fundamental apresentar os resultados esperados da ação de forma realista e inspiradora. É preferível fazer estimativas conservadoras, pois é melhor superar as expectativas do que o contrário. Termine a história em uma nota positiva, enfatizando os aspectos motivadores e inspiradores para que o público se sinta impulsionado a tomar medidas concretas.

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Além disso, é crucial adaptar a narrativa e o formato da apresentação de acordo com o público-alvo, considerando o conhecimento e o nível de familiaridade deles com os dados apresentados. Ajuste a linguagem, a ordem das diferentes partes e o nível de detalhes para tornar a narrativa acessível e compreensível para todos os envolvidos. Uma apresentação bem-sucedida não apenas transmite informações, mas também conecta e cativa a audiência.

 

Como selecionar os dados mais relevantes e significativos para apoiar a história que você deseja contar? Quais critérios devem ser considerados nesse processo?

Resposta:

Na etapa do “Conhecer”, é fundamental utilizar dados que demonstrem a urgência ou magnitude da oportunidade, sendo essencial relacioná-la diretamente aos objetivos e prioridades da empresa que se deseja abordar. Já no estágio do “Agir”, é importante apresentar dados que evidenciem por que as soluções propostas podem ser eficazes. Por fim, na fase do “Crescer”, é necessário fornecer dados que ilustrem os impactos e resultados esperados de cada uma das ações propostas.

É crucial lembrar que qualquer dado que não se enquadre nessas categorias, por mais impressionante que possa ser, deve ser descartado para evitar distrações e ruídos desnecessários. A premissa que impera nesse contexto é “menos, porém melhor”. Dessa forma, concentre-se na seleção cuidadosa dos dados mais relevantes e impactantes, garantindo que cada um deles esteja alinhado com a mensagem que você deseja transmitir. Essa abordagem mais direcionada e precisa trará mais clareza e impacto à sua apresentação, permitindo que você se concentre nos aspectos mais relevantes para alcançar seus objetivos.

 

Quais são as melhores práticas para criar visualizações de dados eficazes que complementam e fortalecem a narrativa dos dados?

Resposta: 

Antes de tudo, é importante ressaltar que, embora recursos visuais sejam extremamente úteis e facilitem a assimilação da informação, a melhor ferramenta de apresentação não pode compensar uma história mal construída.

Dito isso, ao traduzir sua história em uma apresentação, é crucial seguir algumas regras básicas de um bom design:

Simplificar: Mantenha as visualizações simples e limpas, eliminando elementos desnecessários e evitando informações em excesso.

Escolher o tipo certo de gráfico: Selecione o tipo de gráfico adequado para os dados e a história que deseja contar. Por exemplo, use gráficos de barras para comparações e gráficos de linhas para mostrar tendências ao longo do tempo.

Destacar os principais pontos: Foque nos insights mais importantes e destaque-os visualmente, seja por meio de cores, tamanhos ou realces.

Utilizar legendas e rótulos claros: Adicione legendas e rótulos descritivos para auxiliar na compreensão dos dados e evitar ambiguidades.

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Testar a usabilidade: Verifique a usabilidade das visualizações, considerando a clareza, a legibilidade e a acessibilidade, a fim de garantir que sejam compreensíveis para o público-alvo.

Ao aplicar essas diretrizes, você estará criando apresentações visualmente atraentes, porém funcionais, que complementam sua história e garantem que seus dados sejam compreendidos de maneira eficaz. Lembre-se de que a apresentação é uma aliada poderosa para transmitir sua mensagem, desde que seja estruturada e projetada com cuidado e atenção aos detalhes.

Como podemos garantir que as narrativas baseadas em dados sejam compreensíveis para diferentes públicos dentro de uma organização? Quais estratégias podem ser utilizadas para comunicar insights complexos de forma clara e acessível?

Resposta: 

Sem dúvida, uma das tarefas mais desafiadoras é envolver uma audiência diversificada, composta por indivíduos com diferentes estilos e preferências de comunicação. No entanto, existem alguns princípios fundamentais que podem auxiliar nesse processo:

Utilização de exemplos e analogias: Recorrer a exemplos práticos e analogias relevantes para ilustrar insights e tornar as informações mais concretas e compreensíveis.

Utilização de visualizações claras: Apoiar-se em visualizações de dados claras e explicativas, que acompanhem as narrativas e permitam uma compreensão visual dos insights complexos.

Um ponto mais avançado seria:

Adaptação da linguagem: Ajustar a linguagem utilizada de acordo com o conhecimento e a familiaridade do público-alvo, evitando jargões técnicos e explicando termos complexos de forma clara e acessível. Em situações em que não conheço a audiência ou ela é ampla, eu pessoalmente recorro ao modelo de dominância cerebral de Ned Herrmann para reorganizar a narrativa. Nesses casos, inicio direcionando a atenção para o que é relevante aos cérebros mais analíticos (conforme o modelo de Herrmann), deixando claro desde o início qual é o objetivo a ser alcançado (correspondendo à parte “Crescer” no modelo da Sarah). Em seguida, abordo a parte do “Conhecer” (para atender aos perfis mais experimentais do modelo de Herrmann) e, por fim, detalho a etapa do “Agir” para tranquilizar aqueles que são mais controladores e relacionais de acordo com o modelo de Herrmann.

Ao adotar essas estratégias, é possível adaptar a abordagem de acordo com as características do público-alvo, garantindo uma comunicação mais eficaz e engajadora. A capacidade de se conectar com diferentes perfis e tornar a mensagem acessível a todos é fundamental para o sucesso de uma apresentação persuasiva e impactante.

 

Para finalizarmos, um rápido bate bola (responda com uma frase de até 3 palavras).

👥 Para você, trabalhar com marketing digital é: Estratégia, Inovação, Resultados.

📚 Uma indicação de livro para profissionais da área: Essencialismo, do Greg McKeown

👩🏽 Uma referência/inspiração de carreira: Kelly Sacramento (@kellysacramento)

🤫 Uma dica que você carrega para os negócios e para a vida: “menos, porém melhor”

 

B.done | Joana Kraemer

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