Mulheres no mercado de trabalho e seus desafios: entrevista com Danielle Maciel

Investir em estratégias de diversificação e igualdade dentro das empresas é essencial para implantar uma cultura organizacional mais justa, principalmente quando tratamos a respeito do mercado de trabalho para mulheres. Ao promover a diversidade e equidade de gênero, é possível criar ambientes mais inclusivos, onde cada colaborador é valorizado.

Para falar um pouco mais sobre esse assunto, trouxemos um importante nome do universo de gestão de pessoas no Brasil: Danielle Maciel. Com sua vasta experiência como consultora e especialista em estratégias de negócios e pessoas, Danielle tem apoiado grandes organizações a transformarem suas culturas internas, tornando-as mais igualitárias e acolhedoras. Confira a entrevista abaixo.

 

Danielle, para iniciarmos, conte um pouco sobre sua trajetória profissional e como foi sua jornada até se tornar uma empreendedora e estrategista de pessoas e negócios.

Danielle: Sou geógrafa e até os 29 anos minha carreira era ligada à área ambiental, fiz mestrado e doutorado em geologia e trilhava o caminho da tecnologia para o meio ambiente. Aos 30 anos fiz um ano e meio sabático num templo budista, aprendi sobre negócios e me despertei para Recursos Humanos. Aos 34 anos fiz a transição completa, me tornei empresária no ramo de gestão de pessoas e me tornei diretora comercial do Instituto Holos. A partir daí fui me transformando em especialista em desenvolvimento do potencial humano, formadora da Coaches e Mentores. Acho que a minha dedicação ao trabalho voluntário, na Associação Brasileira de Recursos Humanos, me deu um diferencial competitivo. Lá, aprendi a organizar eventos, a conhecer palestrantes do mundo todo, a falar negócios e também a me relacionar com as pessoas, conectar pessoas. Aos 40 anos fui convidada para ser sócia diretora do Great Place to Work em Pernambuco e Alagoas (e fui durante 3 anos). Desenvolvi organizações para serem consideradas as melhores empresas para trabalhar e assim fui conhecendo a realidade de boa parte das marcas de médio e grande porte desses estados. Participei de todo o processo de transformação digital e fui parte atuante nesse movimento. A partir dessa atuação e à frente do Prêmio Melhores Empresas para Trabalhar em Pernambuco e Alagoas fui me tornando especialista em clima organizacional. Em 2020, decidi que precisava expandir minha área de atuação, e passei a atuar mais como estrategista de negócios e pessoas, em atuações importantes no Porto Digital, com fintech de São Paulo e abrindo mercado para startup mineira, Yellow de Recrutamento e Atração. Hoje consigo atuar no Brasil todo como estrategista de negócios. 

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E além da vida profissional, como é a sua rotina como mulher e mãe? O que você leva de aprendizado do seu trabalho para sua vida pessoal e seu convívio familiar?

Danielle: Como mãe solo sempre foi um desafio conciliar a carreira em transição para consolidação e fazer movimentos corajosos, ora de expansão e ora recolhimento, tive momentos de muitas culpas, principalmente quando tive que passar mais de 1 mês em São Paulo para me preparar para assumir o cargo em outra cidade,  precisei ficar um tempo entre as duas cidades, e para não mexer na vida de Bia e  tivemos que administrar a rotina dela com minha mãe, não tinha um dia que eu não pensasse em conseguir consolidar o negócio e trazê-la para perto. Sempre envolvi ela nas minhas decisões de trabalho, e assim viramos parceiras, ela participava da minha meta, aprendeu desde cedo o significado de objetivos, foco, feedback e vendas. Assim como muitas mães, eu tive que em algum momento da minha carreira priorizar a Bia, não me arrependo, mas seria tão bom se eu não tivesse precisado. Sei que para a nossa conexão e confiança isso nos fortaleceu muito, e consequentemente eu ganhei habilidades que me completam como profissional. Eu não seria uma boa mãe sem ser feliz no trabalho e vice-versa não seria boa no que faço sem que meu trabalho não me oferecesse condições flexíveis de ser uma boa mãe.

 

Quando se trata de empreendedorismo feminino e até mesmo mulheres em cargos de liderança, ainda existem muitas dificuldades no caminho. Quais foram os maiores desafios que você encontrou em sua carreira?

Danielle: Me deparei com xenofobia, em relacionamentos com todo Brasil, às vezes vi meu sotaque ser motivo de deboche, minhas ideias não serem ouvidas porque eu estava situada no Nordeste, falas em reuniões interrompidas, ideias sendo desconsideradas e depois executadas sem os devidos créditos. 

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Baseada em sua experiência, como as empresas do mercado atual podem diminuir dificuldades como essas e oferecer opções que favoreçam o desenvolvimento da trajetória profissional das mulheres?

Danielle: Acho que as empresas precisam nos olhar com mais flexibilidade, acho que esse caminho é importante para produtividade e para estabelecer laços mais profundos. As mulheres estão sempre dispostas a aprender, temos uma régua bastante elevada sobre aprendizagem. Promover espaços de trocas de experiências, fala e escuta para prática e compartilhamento de conhecimento. Acredito muito que precisamos de mais espaços para as conexões genuínas. E, claro, sermos reconhecidas. O trabalho que temos para sermos vistas é muito mais desgastante.

 

Quais conselhos você daria para as empresas que desejam implantar um modelo eficiente de gestão organizacional voltado à igualdade?

Danielle: Primeiro, escutar a todos. Possibilitar uma escuta sincera, pois os nossos vieses às vezes dificultam o nosso olhar. Quando estamos dispostos e disponíveis à escuta, conseguimos sermos mais assertivos nas ações. Segundo ter um comprometimento com essa escuta, ir além do superficial, estabelecer letramentos de diversidade. Ser influenciador da diversidade, basta sermos observadores, precisamos ter posturas mais coerentes e assertivas. Como Diretora do GPTW em 2019, observei que tínhamos uma deficit de mulheres colaboradoras nas organizações. No ano em questão, tivemos como tema a Força da mulher, em todas as ações incluímos gênero, a cada reunião eu conversava com os CEOs e diretores sobre os benefícios de terem mulheres em seus boards. E fomos mudando a realidade, em 2019 a pesquisa deu um salto de 37% de mulheres para 47%. E vejo esse movimento até hoje se consolidando. Não temos alcance de até onde vão as nossas ações. 

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E qual dica você gostaria de deixar para ajudar outras mulheres a atingirem cargos de liderança ou iniciarem uma jornada empreendedora? 

Danielle:

Cuide de sua saúde em primeiro lugar, depois da família e depois trabalho. Se posicione, não se cale, procure ter o seu lugar de fala pela integridade, consistência e coerência. Seja generosa, apoie sempre uma mulher, escute, há muitas mulheres precisando do seu apoio.  E se preocupe com resultados, com dados e com crescimento. Nutra seus sonhos diariamente e seja pró ativa para realizá-los.

 

Para finalizarmos, um rápido bate bola! 

👥 Para você, trabalhar com mulheres é: Propósito. 

📚 Uma indicação de livro: A Arte de Escutar e Escute o que ela diz.

👩🏽 Uma referência de liderança feminina: Leyla Nascimento, Luiza Trajano, Rachel Maia e Michelle Obama.

🤫 Segredinho para o sucesso profissional: Seja você! Queira o bem de qualquer pessoa e dê o seu melhor sorriso. 

 

B.done | Beatriz Proença

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