Transformação digital: 4 sinais de que a sua marca ainda não está preparada

Se você tem mais de 20 anos de idade, provavelmente em algum momento da sua vida profissional você ouviu falar que as empresas precisam se preparar para a transformação digital. Aliás, esse foi uma pauta bem forte lá no início dos anos 2010, quando a internet começou a de fato se popularizar no Brasil, bem como todos os nossos dispositivos mobile.

A transformação digital é um processo que, inevitavelmente, todas as empresas estão atravessando nos últimos anos, e agora, mais do que nunca, está sendo acelerada pela pandemia global. E embora tenha visto na minha carreira algumas empresas tratando a transformação digital quase que como uma convidada especial que um dia bateria à porta inesperadamente no meio de uma reunião com a diretoria, ela veio de quietinho permeando várias atividades e rotinas. Lembro que até 2010 eu ainda usava fax, todo setor na empresa ainda tinha impressora (ou seja, 10 anos atrás!).

É, eu sei que falando assim parece que estou falando de um passado bem distante, já que hoje em dia nossos celulares são praticamente uma extensão do nosso corpo, e a maioria de nós que temos necessidades “normais” de software e hardware (ou seja, não precisamos de máquinas robustas) estamos mais que bem equipados com um simples laptop conectado à internet pra trabalhar. Vocês lembram daqueles desktops imensos com capinha de plástico pra não empoeirar?

Mas voltemos à transformação digital…

Todo o processo de modernização (cada vez que uso esse termo parece que eu vou direto pro filme “Tempos Modernos” do Charles Chaplin) é necessariamente um passinho que damos na transformação digital: abandamos nossos desktops e usamos nossos laptops no home-office, impressora é quase inutilizada nas empresas, automatizamos processos, adotamos softwares para nos ajudar a tomar decisões, passamos a vender através da internet, adotamos inside sales, e internacionalizamos empresas sem a necessidade de pegar um voo.

“Ah, Débora. Então quer dizer que a transformação digital já chegou na minha empresa e eu nem vi? Não preciso mais me preocupar com isso então, pois é tudo um processo natural?”

Bom, sim e não.

Digo que sim porque necessariamente de alguma maneira você já evolui nesse processo, porque precisa acompanhar as mudanças do mundo. Ou vai me dizer que as contas da empresa ainda estão anotadas no caderninho e o dinheiro guardado na caixa registradora?

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Mas ouso dizer que você ainda não tá 100% preparado para esse “novo futuro” e eu vim te explicar o por quê. Trago aqui 4 sinais de qua sua marca ainda precisa evoluir nesse processo.

1) Home-office e o trabalho remoto: só enquanto durar a pandemia

Eu adoro essa pauta, porque o home-office era uma promessa antiga, principalmente de empresas que queriam ser cool e até ~de vez em quando~ liberavam trabalhar de casa com muito custo, porque “é mais difícil gerir pessoas remotamente”. Aí veio o coronavírus que não perguntou para ninguém se era difícil ou não, e muitos de nós nos vimos trabalhando das nossas casas.

Mas se a sua empresa vê esse cenário como apenas um momento passageiro, está “contratando com ~direito a home-office~ durante a pandemia, mas que depois exigirá deslocamento, se pensar na mobilidade de funcionários pós-pandemia não é uma opção e na re-estruturação da empresa, talvez ainda estejamos apegados a um passado que a meu ver não se sustentará por muito tempo.

Lidar com trabalho remoto, diferentes fuso-horários e gestão de equipes online não é mais para ser pensado como algo para o futuro. E se o seu melhor candidato estiver ha um fuso horário de +8h? E se a sua melhor gestora optar por trabalhar de casa para equilibrar qualidade de vida? Se a sua empresa não pretende adotar políticas mais consistentes de home-office no mundo pós-pandemia, talvez ela não esteja tão pronta para essa transformação.

 

2) Tomada de decisão baseada em dados

Big data é um termo com cara de futurista, mas que dá as caras quase todos os dias já tem bastante tempo. Usar dados para tomada de decisão, seja para melhorar competitividade, vender mais, melhorar o marketing ou contratar melhores candidatos não é mais algo para um dia no futuro. Estamos aumentando drasticamente o volume de dados que geramos, e precisamos dar inteligência para esses dados.

E é importante lembrar que toda essa inteligência digital deve estar integrada ao offline também, afinal a vida continua acontecendo em carne e osso. Nossos desafios estão aumentando para lidar com esse cenário, afinal de contas, transformação digital é sobretudo, conectar humanos e tecnologia de uma maneira fluida e que traga melhorias para nossas vidas.

Quanto das suas decisões de negócio são baseadas nos dados que você tem a sua disposição? Sua empresa já possui uma base confiável de informações que podem servir de guia para os seus próximos passos? E esses dados são suportados por inteligência que ajude a encontrar as respostas que você precisa? Esse de fato ainda é um grande calcanhar de Aquiles para todos nós, não tenho dúvidas.

 

3) Ferramentas sem inteligência

Você até tentou conscientemente evoluir a empresa na transformação digital, por isso investiu em várias ferramentas: software para automatizar marketing, financeiro, vendas, até o processo seletivo ganhou uma cara nova. Mas depois de um tempo você percebeu que os sistemas não se conversam, não estão integrados, a empresa não tira máximo proveito do investimento feito, e adequar-se às novas ferramentas dá mais trabalho do que fazer do jeito antigo: a equipe não engaja e os softwares não entregam metade do que poderiam.

Esse costuma ser um cenário bem comum, afinal de contas hoje temos soluções para absolutamente tudo: desde simples ferramentas colaborativas a avançados softwares dotados de inteligência artificial e learning machine, e assim como os softwares, as técnicas de vendas também avançaram nos últimos anos, e de vez em quando a gente vê empresas se empolgando e contratando ferramentas para desistir logo mais ali na frente.

Ou ainda pior: mantemos os contratos, as ferramentas, o que vira um custo a mais para o caixa da empresa e que não traz qualquer ROI.

 

4) O milagre do Digital

Ainda conectado com o ponto anterior, o milagre do digital a que me refiro é sobre a expectativa – a ser frustrada posteriormente – de que com a tecnologia tudo vai ser mais fácil: mais vendas, mais clientes, menos desperdício, menos lucro e tudo automático.

Imaginamos a empresa quase vivendo um cenário futurístico, onde vamos apertar o botão e tudo vai acontecer num estalar de dedos. Mas esquecemos que todo o processo da transformação digital envolve estudo, aprendizado e integração da tecnologia com os seres humanos. Não tem nada de mágico por aqui não.

Mais do que qualquer assistente virtual ou acesso de base de dados, a transformação digital está conectada aos seres humanos e ao ambiente propício para evoluir, crescer e aprender. Por mais que a tecnologia evolua e possa substituir (e vai) o trabalho de muita gente, há uma coisa que nenhuma máquina pode ser: humana.

A transformação digital ainda vai abalar muito nossas estruturas, disso eu não tenho dúvida, e com ela a automatização de tudo que pode ser padronizado e previsto. Isso sem dúvida eleva nossa barra na necessidade de adotarmos um processo de aprendizado muito mais constante, mas não tira de nós nossa capacidade de sermos seres humanos.

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Para se preparar e abraçar o processo de transformação digital é importante entender que alguns pontos cruciais precisarão ser parte da nossa rotina e da nossa gestão:

 

  • Planejamento da mudança:

Num processo de transformação digital é necessário repensar toda a estrutura organizacional do negócio, além de definir deadlines para a implementação de cada nova ferramenta, estrutura e processo.

Mudança de software como o CRM, por exemplo, pode ter a promessa de trazer informações mais claras e maior controle de processos, mas ao mesmo tempo pode impactar em grande resistência da equipe de vendas. E aí, não importa quanto o software seja bom, se a equipe não aderí-lo de nada adianta.
Portanto, cada passo precisa ser calculado e bem pensando, pois são as pessoas que vão ser diretamente impactadas com qualquer mudança. Muito embora é muito entendível que uma empresa precise tomar muitas decisões top down, precisamos ter em mente que somos naturalmente resistentes a mudanças, e sem um planejamento para adoção de novas ferramentas e engajamento da equipe será difícil realizar qualquer transformação sustentável.

 

  • Benchmarkings:

Sair contratando as primeiras ferramentas porque você viu numa apresentação, anúncio ou um bom pitch vendedor pode ser tentador. Aliás, o marketing trabalha exatamente para gerar necessidade das pessoas, é verdade. Mas qual é a sua necessidade? Que problemas você quer resolver? Como as coisas funcionam na sua empresa e como elas poderiam funcionar?

Muitas vezes não temos as respostas na ponta da língua, o problema parece complexo e buscar no mercado empresas que tenham passado por situações parecidas – e como elas estão resolvendo – é uma boa oportunidade de encontrar soluções que tenham melhor fit com a sua necessidade.

Benchmarking são boas oportunidades para olhar pra fora de casa, aprender com quem já tentou mudar antes e ter outras opiniões a respeito de algo que muitas vezes estamos tão bitolados, que podemos perder nosso senso crítico na ânsia de resolver o problema logo.

 

  • Cultura da Criatividade e Inovação:

Eu vou sempre bater nessa tecla, e só para relembrar mais uma vez: transformação digital é sobre pessoas. No final das contas nós – humanos – dominamos a tecnologia e não ao contrário.

Por isso mesmo, conforme vamos evoluindo e aderindo às tecnologias, automatizando tarefas e ganhando velocidade na tomada de decisão, operação e produção, nós não podemos esquecer que nosso time vai ser o responsável por dar toda a inteligência necessária às máquinas e robôs. Só que é muito difícil fazer isso se o ambiente não colabora e a empresa não incentiva o aprendizado.

Para mim, manter-se conectado com a transformação exige mais do que nunca dedicar tempo, recursos e esforços para construir um ambiente de aprendizagem constante, empoderamento, liberdade e criatividade, será muito improvável poder acompanhar o que esse futuro breve já está exigindo de nós.

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Escrito por:

Débora Brauhardt
Débora Brauhardt
Especialista em Gestão da Criatividade e Inovação e mais de 12 anos de carreira em estratégias de negócios, marketing, customer success, gestão e internacionalização em empresas como Parque Tecnológico Itaipu, Resultados Digitais e Octadesk.